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Grupo de voluntários se torna 'olhos' de cegos em projeto de corrida de rua

Data: Sábado, 30/03/2019 19:11
Fonte: Olhar Direto

Jefferson Lucas Evangelista da Silva, hoje com 31 anos, perdeu toda a visão aos 28. Morando no Instituto dos Cegos, em Cuiabá, ele achou que nunca mais experimentaria a sensação de liberdade de sentir o vento batendo em seu rosto durante uma corrida. Mesmo praticando quatro tipos diferentes de esportes adaptados, foi só quando conheceu o projeto da professora Vanilza Vronski, 44, que acreditou, de novo, ser possível. Foi a sua experiência que deu nome à iniciativa: Cordas da liberdade.

“No primeiro dia eu resistia muito. Porque como eu perdi a visão só tem três anos, pra mim era tudo novo, e eu tinha medo. E ela insistiu e eu fui correr com ela uma vez. Quando eu comecei a correr eu senti uma sensação de liberdade, de poder andar de novo, de correr, coisas que eu pensei que não ia conseguir fazer mais. E de lá pra cá, graças a Deus nunca parei, e está tendo esses frutos”, contou o atleta ao Olhar Direto. No último dia 28, ele viajou para Minas Gerais para participar de uma competição de peso e dardos.

O ‘Cordas da Liberdade’ foi idealizado por Vani, que é professora no Instituto dos Cegos. O princípio é simples, mas revolucionário: um grupo de voluntários se une para correr junto aos cegos. Para isso, cada um segura a ponta de uma corda, o que possibilita que eles corram sem ter que segurar no braço ou no ombro do guia.

“Eu criei o projeto com a intenção de contribuir com os treinos do time de Gobol”, explica Vani. O Gobol é um esporte específico para pessoas com deficiências visual, em que os jogadores se orientam por referências marcadas no chão da quadra e jogam deitados. “Eles cobrem a trave de nove metros fazendo deslize com o corpo, então a corrida ajuda muito na performance, porque melhora o condicionamento e diminui a gordura corporal”, garante.

Segundo Vani, o time de Gobol do Instituto dos cegos (Icemat) é de alta performance, e já participou de competições em todo o Brasil, mas ela viu a necessidade de expandir estes treinos. Começou sozinha, correndo com quatro atletas, mas, com o tempo, ficou muito cansativo, e ela decidiu chamar mais voluntários.

Atualmente, o ‘Cordas da Liberdade’ conta com 12 guias e 15 atletas, que se revezam nos treinos que acontecem três vezes na semana, em diferentes parques da cidade. Para se tornar um guia, é preciso, primeiro, fazer um treinamento.

“A gente faz um treinamento antes. A pessoa coloca a venda, a bandagem, e primeiro caminha, pra aprender a confiar no guia, ficar mais tranquila, e depois começa a correr”, explica a professora. “Assim, ela vai ter uma ideia do que precisa fazer sendo os olhos de outra pessoa”.

Durante o percurso da corrida – ou caminhada – o guia, além de alertar sobre desníveis e possíveis obstáculos, também descreve a paisagem para o atleta, contando sobre o que está vendo, que às vezes pode ser uma família de capivaras, outra vez um belo pôr do sol.

Além dos treinamentos nos parques, os atletas também participam de corridas de rua, e se tornam até mesmo amigos dos guias. A maioria deles vive no Instituto, e fica longe da família a maior parte do ano.

No ICEMAT, além do Gobol, eles estudam e fazem atividades como dardos, levantamento de peso, e a própria corrida, quando ainda são iniciantes. Nada disso, no entanto, se compara com o que lhes traz a experiência das cordas. “Eu sempre digo: o que te impede a fazer esporte? Hoje eu vivo uma sensação de liberdade, e estou muito feliz”, comemora Jefferson.

Voluntariado

Quem quiser ajudar o projeto pode entrar em contato pelo INSTAGRAMFACEBOOK ou pelo telefone (65) 98117-8384. Eles estão sempre abertos para voluntários que queiram ser os olhos de outras pessoas.