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Raça Bravon começa registros no Brasil

Os bovinos Bravon são mais rústicos que os Devon, suportando condições extremas

Data: Terça-feira, 29/12/2020 11:05
Fonte: AgroLink

Depois do registro da nova raça sintética Bravon pelo Ministério da Agricultura, em setembro, os primeiros animais da raça começam a entrar no livro de registros da Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC). Tratam-se de três terneiros da Fazenda Rio Canoas, de Anita Garibaldi (SC). 

As três fêmeas e dois machos são de propriedade do criador Wanderley Corona, que começou a trabalhar nos primeiros cruzamentos em 2017. “Eu coloquei touros com a linhagem vermelha dos Brahman em cima de fêmeas Devon PO, para que o gado não fique pintado, eu quero preservar essa pelagem rubi. O meu plantel é todo vermelho, tanto os PO quanto os não PO. Sou pequeno produtor e sempre acreditei muito na raça. São mansos, carcaça excelente, estou bem satisfeito”, conta.

O registro era uma reivindicação antiga da Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB). Anteriormente, os cruzamentos eram registrados como Devon CCG (Cruzamento sob Controle de Genealogia) na ANC. O primeiro animal a pertencer a essa categoria foi uma fêmea da Fazenda São Valentin, de Reinoldes Cherubini, de Nova Prata (RS), em 1993. Desde então, constam 504 machos e 2048 fêmeas nos arquivos da entidade.

 

O serviço cartorial está ao encargo da ANC.  Os criadores devem enviar os comunicados de cobertura e nascimento dos animais, assim como já ocorre com a raça Devon. 

Potencial para expansão

O Bravon resulta da cruza de animas Devon com zebuínos de corte. Os cruzamentos entre animais Devon e raças zebuínas, como Nelore, Brahman e Sindi, já se espalham desde o Sul do Brasil até regiões mais tropicais, como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia.

Especialistas na raça acreditam no potencial de expansão, especialmente pelas características dos animais. “Acreditamos que a expansão é uma questão de tempo, o reconhecimento da raça Bravon é um impulso importante para a multiplicação dos rebanhos, assim como já ocorreu nas décadas de 1980 e 1990”, comemora Simone Bianchini, presidente da ABCDB.

 

Os bovinos Bravon são mais rústicos que os Devon, suportando condições extremas como resistência a endo e ecto parasitas, calor e qualidade da forragem. “O Bravon tem vigor híbrido, essa heterose do cruzamento chama a atenção”, ressalta Lucas Hax, diretor técnico da ABCDB.

Otimista também está Wanderley Corona, que diz já ter sido procurado por interessados pelos cruzamentos e projeta futuros negócios. “É uma surpresa positiva, a gente já tem alguns anos de conquistas e tem que manter. Eu me envolvo diretamente e busco resultados, porque isso não é um hobby pra mim. O ganho genético só ocorre quando você coloca nas suas matrizes animais melhoradores, acredito que vai sair na frente quem conseguir fazer os melhores indivíduos. O meu projeto é vender bons reprodutores,  acho que nós vamos ter um futuro excelente nessa raça. O Bravon vai longe”.