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Quase metade dos alunos afirma ter sido vítima de violência em escolas estaduais de SP

Estudo revela que 48% dos estudantes sofreram agressões no ambiente de ensino

Data: Quarta-feira, 29/03/2023 11:28
Fonte: Isabelle Amaral, do R7

Quase metade dos alunos que estudam na rede estadual de São Paulo afirma ter sofrido algum tipo de violência nas escolas, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (29) pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e o Instituto Locomotiva.

O levantamento, feito entre 30 janeiro e 21 de fevereiro deste ano, revela que 48% dos estudantes já sofreram algum tipo de violência nas dependências da escola. Esse número era de 37% em 2019, ano anterior ao início da pandemia de Covid-19.

Para o levantamento, o sindicato e o instituto ouviram 1.250 estudantes, 1.250 familiares e 1.100 professores. O objetivo, segundo o fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, é "desenvolver políticas públicas de combate à violência nas escolas".

O caso da última segunda-feira (27) reflete os dados do estudo. Na ocasião, um aluno de 13 anos esfaqueou estudantes e professores em uma escola na zona oeste de São Paulo. O atentando deixou uma docente morta.

"Quando temos alunos estimulados a resolver divergências com violência ao invés do diálogo, isso deixa a população mais sucetível a ataques como o que ocorreu na última segunda. Isso tem relação direta com a cultura de ódio empregada na nossa sociedade", explicou Meirelles.

Professores violentados

A pesquisa revelou também que 19% dos professores sofreram violência nas escolas estaduais. Uma das funcionárias, que foi vítima do ataque a facadas no início da semana, contou que "não consegue mais se ver em sala de aula".

O bullying — com frequência, identificado nas unidades de ensino — pode ser um gatilho para motivar esse tipo de ataque, conforme apontam especialistas. Para a delegada e diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Raquel Gallinati, os adolescentes que praticam tais atos "foram agredidos ou têm a intenção de agredir por algum motivo inexplicado" e, por isso, a "história se repete".

"Os pais enviam os filhos para a escola acreditando que eles estão em um lugar seguro, mas não é isso que estamos vendo. De tempos em tempos, massacres em escolas são noticiados, mas nada de forma efetiva sem sido feito ou solucionado", afirmou.